Suspeite da quietude e mansidãoSuspeite na calada da noite
Se puder ouvir com calma o coração
Não acredite muito
Se no meio das sombras
Não houver olhos a te espionar
Suspeite do silêncio Da calmaria
Você pode estar sendo vítima de uma trama
Que te quer calmo e covarde
Não fique parado muito tempo
Que apodrece e cria raízes que aprisionam
Não seja tão acelerado para não se diluir
Ah! Os pombos proliferam nas cidades
E as pessoas lhes dão o que comer
Se chove, correm para os parapeitos
Se o tempo é bom, é indiferente
Se reúnem, e ouve-se seus ruídos uniformes
Que se repetem, se repetem, se repetem...
E os abutres? Os abutres, sobrevoam ávidos!
Sim! Há outros pássaros!
Margareth Bravo

Foto: Daniel Gomes RJ.
