quarta-feira, 25 de março de 2009

Nunca desprezo uma sincronicidade



Quando adolescente deitada na minha cama, sentindo a batida forte do mundo, com uma necessidade de ancorar em algo que fizesse sentido, escrevi na parede os nomes de Leila Diniz e Caetano Veloso. Escrevi bem pequeno, porque era mais para gravar no meu disco rígido como num rito, a memória de que sempre existem pessoas que ousam caminhar na transversal do mundo, os desequilibristas, os anarquistas “graças a Deus”, jamais poderia esquecê-los! Eles se tornaram meus amigos, pessoas que eu podia concordar ou discordar, mas sempre admirar.
Leila Diniz foi um cometa incandescente, que com sua vida breve marcou toda uma geração e rompeu alegremente barreiras como consta em biografia de Joaquim Ferreira dos Santos.


Quando um amigo me falou a respeito do blog Obra em Progresso do Caetano Veloso, fiquei feliz por ter uma forma de declarar meu amor e respeito por essa pessoa que tanto impactou meu olhar para o mundo. Então eu disse:

Quero agradecer a viagem histórica de nossa época pelo viés Caetano.

Como livre pensador e espécie de tradutor das profundas ânsias coletivas Caetano vem sendo ao longo dos anos um condutor de alquimias em nosso “DNA” de certa forma o absorvemos quer queiram ou não, em nossa corrente sanguíneo-subjetiva. Em Outras Palavras, Cores e Nomes, enquanto Uns ladram, nós não temos nenhuma Queixa, Caetano é um Raio de Luz do Sol a iluminar entendimentos e contradições, fala em uma Língua universal, provocando O Quereres que a todos mergulha vez por outra Numa Noite de Hotel , em Noites do Norte sem norte, nessa Terra, onde não podemos fugir da “dor-homem” , mas apesar e até por causa dos Podres Poderes, podemos perceber Qualquer Coisa, Fora da Ordem e é aí que faço uma Oração ao Tempo pedindo vida longa a Caetano.
Penso que o verdadeiro intelectual, é aquele que se revela pragmático, como Darcy, Deleuze, DaMatta, Caetano, apenas para citar alguns. E ao final Caetano e sua expressão no mundo, contudo, é apenas “Humano, demasiado Humano”. E eu sigo observando, com minha Alegria, Alegria e com nada nos bolsos ou nas mãos, mas o que importa mesmo, é que eu nasci para ser Superbacana!!!

Voltei ao meu blog, e confesso que levei um susto, eu acabava de ser visitada por alguém de Teerã, não havia como não associar o fato a música Qualquer Coisa, e naturalmente a Caetano, ainda espantada fiquei pensando... Será que eu estou prá lá de Teerã, será que Caetano está prá lá de Teerã, ou você, ou todo mundo? Acho que é isso, está todo mundo prá lá de Teerã, e nosso papo já está qualquer coisa. Mas, como e por que alguém do Irã acessaria meu blog?

Na seqüência recebi um email informativo da Hora do Planeta.

O mundo agora nos permite perceber que coabitamos uma grande casa, estamos mais do que nunca entrelaçados, interligados e isso permite ações maravilhosas e comoventes como as do movimento - Hora do Planeta - da WWF, isso nos coloca a todos, prá la de Marrakech.

O Rio de Janeiro, foi a primeira cidade a aderir ao movimento, mas isso não importa, o que importa, é que um mundo inteiro se abriu e se uniu nessa brilhante idéia!

E a sincroni- cidade? Bem, acredito que seja essa possibilidade, de simultaneamente, todas as cidades do mundo se unirem em pensamento e ação por um mundo melhor.

Salvemos o planeta em risco, salvemos a Terra!

Com extasiante alegria pela Hora do Planeta, Margareth

Mattloyd


Terra ( Caetano Veloso)

Quando eu me encontrava preso

Nas celas de uma cadeia

Foi que eu vi pela primeira vez

As tais fotografias

Em que apareces inteira

Porém lá não estavas nua

E sim coberta de nuvens

Terra, terra

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria
Ninguém supõe a morena
Dentro da estrela azulada
Na vertigem do cinema
Manda um abraço pra ti, pequenina
Como se eu fosse o saudoso poeta
E fosses a Paraíba
Terra, terra
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria

Eu estou apaixonado por uma menina
Terra, signo de elemento
Terra, do mar se diz
Terra à vista
Terra, para o pé firmeza
Terra, para a mão carícia
Outros astros lhe são guia
Terra, terra
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria
Eu sou um leão de fogo
Sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente
E de nada valeria
Acontecer de eu ser gente
E gente é outra alegria
Diferente das estrelas
Terra, terra
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria
De onde nem tempo nem espaço
Pra gente te dar carinho
Que a força mande coragem
Durante toda a viagem
Que realizas no nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne
Terra, terra
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria
Nas sacadas dos sobrados
Da velha São Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do Imperador
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito
Terra, terra
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria Foto:FX - França- escultura


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Culpa - o disfarce do medo

Foto: Teresa Soares - Aveiro -Portugal


Quando menina, por tradição familiar freqüentava as missas da Igreja Católica, havia uma máxima que me causava imenso desconforto e ficava ecoando em minha mente gerando um efeito de punição terrificante, e os fiéis repetiam: “por minha culpa, minha máxima culpa”. Hoje percebo o significado para essa questão por outro ângulo , não sei se era o que a orientação cristã pretendia ensinar, mas o fato é que desperdiçamos tempo e energia ao culpar o outro que faz órbita em nossa intimidade, por seja lá o que for que nos sucede. Retiramos nossos olhos de onde deveriam pousar, quando nos desculpamos por nossos adiamentos, por nossas apatias, pelo nosso desistir de buscar o que queremos responsabilizando o outro e espelhando nele nossos fantasmas. Essa transferência de culpa ou responsabilidade, apenas se transforma numa habilidade inútil de fugirmos de nós mesmos, nosso foco então, deixa de ser nossa meta, nosso real desejo para ser um desvio numa espécie de fardo por nós autorizado. Nesse sentido, tudo quanto nos acontece, é nossa permissão. Se existe espaço para responsabilizarmos alguém, por nossas perdas, desistências, frustrações e outras tantas pendências, no mínimo somos co-responsáveis por esse fardo – a culpa projetada no outro, é nada mais, nada menos que um disfarce do medo de crescer. Por isso, eu atualizo a sentença “minha culpa, minha máxima culpa” para – minha responsabilidade, minha máxima responsabilidade sou eu, sou eu, sou eu, simplesmente eu, porque permito seja lá o que for. Assim, libero o outro, e me ponho a olhar para aquilo que me causa medo e no que deve estar minha responsabilidade, investimento e zelo.

Margareth Bravo



Foto: Fju- Rússia


Auto-encontro


Se eu encontrasse comigo, eu teria medo de mim

Dos meus olhos, as minhas palavras

Da minha maneira de falar coisas profundamente tristes e ao mesmo tempo rir

A minha mão na cintura, da minha mão apoiando minha cabeça

Eu teria medo do meu olhar

E novamente do meu olhar, da firmeza dele, do desafio.

De tudo que ele consegue dizer quando estou muda

Do seu negrume transparente, da sua insistência

Do meu olhar... eu teria muito medo de mim Foto: Klaas - Amsterdam

Dele quando faminto, quando sedento

Quando penetrante na sua magia se exaltasse

Eu teria muito medo de ver o que ele faz por mim

E de quando ele não esconde nada



Medo eu teria quando estivesse fugindo, quando brincando de olhar

Mas, muito, muito medo eu teria, quando com medo de olhar...

Margareth Bravo




terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Misteriosa Existência

Foto: França - Musee D'Orsay Mike G.

Ao final de mais um ano por muito que não se queira, sempre acontece de nossos pensamentos e sentimentos nos levarem a reflexão sobre nossas vidas, sobre o que temos feito dela. E observo que o nosso único e incontestável poder está em nosso coração, e assim quando nos deixamos conduzir por ele, a energia do amor nos invade e tudo ganha força e relevo, porque do amor nasce a imprescindível liberdade, porque ele nutre, contagia, cura, porque qualquer coisa sem o amor, se perde... Quando olhamos para trás, percebemos que tudo passa; maus momentos, bons momentos; a própria vida passa e tão veloz e vertiginosa! Quantos anos se passaram num segundo??? Num segundo que sequer percebemos! E o que fica realmente, são as coisas mais simples, pequeninas e singelas lembranças no inventário de nossas vidas: um abraço confortante quando sentimos dor, saudades; um sorriso cúmplice, um olhar amoroso, uma árvore, um animal, uma poesia, um cheiro de café e pão quentinho numa tarde inesquecível de nossa juventude, um dia deitado na grama olhando o céu estrelado, palavras de apoio quando nos sentimos desestimulados, uma crise de risos em família, admirar os seres amados dormindo, fotografias que máquina nenhuma pode registrar olhares, olhares, olhares... gestos... aquele dia que a chuva nos pegou de surpresa e de repente foi um grande prazer se sentir vivo, aquela tarde vendo um belíssimo pôr de sol abraçado a um amigo e tantas, tantas singelas lembranças!

Foto: México - Rosein Midair

E a vida está passando aqui e agora, indiferente frente a nossa indiferença ao fato que não podemos adiar entendimentos nem o desfrutar a própria existência em sua inapreensível grandeza e mistério - nosso destino comum. É preciso caminhar confiante, rumo ao auto-encontro com a perseverança de quem sabe que tudo é aprendizado, e então, como crianças inocentes, nós abrimos o coração para aquilo que não podemos compreender; o imponderável dessa misteriosa e admirável existência!!! Assim pasmos de tudo e perplexos, sigamos, cantando, rindo, amando, celebrando e lançando sementes para que a Grande Família Humana possa alcançar a paz! E o rio da vida continua majestoso, fluindo rumo ao Grande Oceano!!! “Paz na Terra, aos homens de boa vontade!” Obrigada Ano Velho, bem vindo Ano Novo!

Com amor, Margareth

Foto: Austrália - Drora







Cântico VI

Tu tens um medo
Acabar.
Não Vês que acaba todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.

Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Cecília Meireles

Foto: Brasil - Jeroen Krol

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ainda não somos sequer modernos, ou que abismo é esse?

Foto: Thijmen - França

.

. Fico muitas vezes, horas refletindo sobre essas nomenclaturas, eu penso que a humanidade nem sequer amadureceu a denominação de Modernidade, quando a civilização deu por si, e passou a pensar o ser e suas implicações de estar no mundo, seus códigos, seu existir. Creio que a humanidade esqueceu de si mesma, num mundo cada vez mais artificial em formas, conceitos, comportamentos, tudo se transforma rapidamente em produto, gerando artificialidade por todo canto. Caminhamos atônitos, apressados, sem tempo de sentir, sem tempo de pensar o ser, o existir; teorizando, relativizando, sem perceber a efemeridade da vida, sem nos dar conta que somos uma grande família (humana) que habitamos a mesma casa (Terra) que partiremos breve e que nosso egoísmo é muito velho. Não, nós ainda não somos modernos. Seria então a Modernidade tão precocemente descartada para assumir uma espécie de falência da obra em curso, sepultando as chances da humanidade ser de fato moderna? Como então, pode ser pós-moderna se nem ao menos alcançou o que é modernidade, se não cumpriu esse papel? Teria a pós-modernidade o papel de subsumir a modernidade? A modernidade implodiu? Mal o homem se deu conta do pensar e de suas racionalizações; teriam elas o impulso de atirá-lo no abismo da pós-modernidade?


Foto :Kheit Pelczarski - Estados Unidos

Para mim depois de Modernidade o natural seria supermodernidade! Mas vejamos, nunca fomos completamente modernos, fazemos guerras inúteis e cruéis, ingressamos numa era de representações humanas, onde mesmo a bondade se transformou em produto, empresas se engajam na responsabilidade social ou ecológica, apenas porque lhe rende marketing, claro que não posso radicalizar creio na boa fé de muitos, mas caímos no reino dos interesses acima de qualquer coisa. Basta ver no Brasil, por exemplo, a população que cresce nas favelas e beira de estradas num nível de miséria vergonhoso, em sua maioria negra. Enquanto isso, a hipocrisia viceja criando cotas para negros nas universidades, quando a medida a ser tomada deveria ser a inclusão da história real dos negros e índios no currículo escolar desde o primário, outorgando-lhes a dignidade a que têm direito, além disso, criar oportunidade de base escolar e inclusão social, ou seja, começar pelo começo. O racismo é outra prova de que não atingimos a Modernidade, e o embraquecimento social, continua sendo a medida e o passe para que os negros sejam assimilados, seja pela riqueza ou pela fama, e os índios, esses, meu Deus, foram de tal forma triturados pelo sistema, que além de dizimados, estão como algo amorfo no imaginário coletivo, algo talvez como uma lenda.

Não, a evolução da humanidade não atingiu a Modernidade, a despeito de pensadores excepcionais, de teorias espetaculares, de avanços tecnológicos, continuamos engatinhando, enquanto houver destruição e abandono do homem pelo homem, com a omissão institucionalizada, enquanto fingirmos que está tudo bem, se nesse exato momento milhares de seres morrem de fome, crianças sofrem todo tipo de violência, o planeta é arruinado sistematicamente; tempos mórbidos de barbárie e alheamento.

Com o filósofo René Descartes, a civilização descobriu que pensa e logo existe, aprendemos a racionalizar, e tanto e por tantos métodos, como se milhares e milhares de auto-estradas se entrecruzassem, e onde, onde se perdeu o homem? A humanidade se encontra ainda em seu ensaio de vôo. Antes de aceitar a denominação de pós-modernidade, a humanidade precisa pensar a si mesma como uma possibilidade de vôos mais altos, de um pensar que permite também sentir, permite enlouquecer no melhor dos sentidos da palavra, sair da fôrma pronta em que nos metem desde cedo. Sim, penso logo enlouqueço, assim escapo um pouco do senso comum, e encontro transversais que permitam ao menos sonhar com novos vôos da humanidade.

No dia protocolado e dedicado a Consciência Negra, penso no dia da Consciência Humana que inclui a todos no pensar a raça humana igual, sem separar por castas, etnias, ideologias. Lembrando como pensou o filósofo Heidegger que “o homem é um poema inacabado” sempre podemos introduzir nesse poema o belo, ainda que o grotesco insista em nos rodear!


Foto: Laura Lizancos - Espanha

Paciência (Lenine - Dudu Falcão)

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...
Foto: Hazel - Dublin

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O que deixaremos para as crianças do futuro?




Na Eco-92 , Severn Suzuki comoveu a todos com seu discurso, até hoje quando assisto, não consigo conter minhas lágrimas, principalmente, porque assustadoramente, tudo que ela denunciou, está cada vez mais grave e seu alerta, tão contundente, tão sofrido e corajoso permanece sem resposta.


Precisamos urgente encontrar essa menina e seu grupo, não há mais tempo para tornar a infância dela e de sua geração mais tranqüila, pois hoje, passados 16 anos Severn Suzuki e seus amigos, têm em torno de 28 anos, e possivelmente, já tenham filhos.


Faz muito tempo que a procuro na internet sem sucesso, gostaria de pedir aos amigos que me ajudassem a encontrá-la, para dizer a ela que conta comigo e com toda certeza com todos vocês, para juntos construirmos soluções. O planeta precisa de muitas Severns Suzukis, para conter a avassaladora e absurda destruição e abandono do homem pelo homem. Quando se destrói a própria morada, que mais esperar da humanidade? Quando os dirigentes máximos dos países representados na Eco-92 não tiveram a sensibilidade de criar uma Lei Severn Suzuki de Consciência Planetária, para implementar ações por ela apontadas como emergenciais, o que mais esperar dos organismos oficiais?


Cabe a cada um de nós, colocarmos todo nosso coração e empenho em nos unir a ela e a todos que acreditam num mundo melhor, e ir fazendo o trabalho de formiga onde quer que estejamos da melhor forma que pudermos. Basta sermos capazes de conceber que é possível!!!




Do irreal resulta a impotência; o que não somos capazes de conceber não podemos dominar.



Wilhem Reich




Foto: Eslwinshot - Filipinas

Aos nossos filhos

Composição: Ivan Lins/Vitor Martins

Perdoem a cara amarrada
Perdoem a falta de abraço
Perdoem a falta de espaço
Os dia eram assim

Perdoem por tantos perigos
Perdoem a falta de abrigo
Perdoem a falta de amigo
Os dias eram assim

Perdoem a falta de folhas
Perdoem a falta de ar

Perdoem a falta de escolha
Os dias eram assim

E quando passarem a limpo
E quando cortarem os laços
E quando soltarem os cintos
Façam a festa por mim


E quando lavarem a mágoa

E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água

Lavem os olhos por mim

E quando brotarem as flores
E quando crescerem as matas

E quando colherem os frutos
Digam o gosto pra mim!

Digam o gosto pra mim!







Foto: Zerega - Síria


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Outros Pássaros

Foto: Lisa Solonynko Suspeite da quietude e mansidão
Suspeite na calada da noite
Se puder ouvir com calma o coração

Não acredite muito

Se no meio das sombras

Não houver olhos a te espionar

Suspeite do silêncio
Da calmaria
Você pode estar sendo vítima de uma trama
Que te quer calmo e covarde
Não fique parado muito tempo
Que apodrece e cria raízes que aprisionam
Não seja tão acelerado para não s
e diluir
Ah! Os pombos proliferam nas cidades

E as pessoas lhes dão o que comer
Se chove, correm para os parapeitos
Se o tempo é bom, é indiferente

Se reúnem, e ouve-se seus ruídos uniformes
Que se repetem, se repetem, se repetem...
E os abutres? Os abutres, sobrevoam ávidos!

Sim! Há outros pássaros!

Margareth Bravo



Foto: Daniel Gomes RJ.

domingo, 26 de outubro de 2008

A vida é curta, curta a vida!!!

“Noite chegou outra vez, de novo na esquina os homens estão, todos se acham imortais...”

Milton Nascimento.


Nunca é demais lembrar que a vida é curta. Lamentavelmente curta o suficiente, para que não possamos : ler todos os livros ( a bienal que o diga), assistir a todos os filmes, conhecer todos os lugares, ouvir todas as músicas, admirar todos os pássaros, fazer todo amor que desejarmos, descobrir todas as pessoas, escutar todas as poesias, não dá para completar a lista, a vida é curta para isso também.


Foto: Peter JFontijn - Espanha


Eu fico a me perguntar, como existem pessoas que encontram tempo para serem maquiavélicas. Como determinado tipo de gente consegue coragem para ser mau-caráter, sem sequer avaliar o constragimento que poderá causar em seus familiares. Já parou para pensar, a desgraça que é ser parente de um político maquiavélico, por exemplo? O estigma que persegue alguém, cujo único pecado, é ser irmão ou filho de um crápula? O sujeito, em nome de fama, poder, grana, coloca em risco, não a própria imagem, que isso (dane-se! ) é problema dele, mas expõe ao ridículo e a dor todos que estão ligados a ele por laços sanguíneos, e como se não bastasse, faz das oportunidades, o acêrvo de sua inutilidade sobre a face da terra. Pior ainda, é fazer pouco caso de Deus. Que mesmo os ateus, devem admitir, pelo menos um Deus científico, ou como se explica a mágica que rege o Universo? Ou ainda, ser um pouco inteligente para perceber, que não temos poder sobre nossas próprias vidas, que somos retirados de cena, sem a menor cerimônia ou consulta prévia. Seja lá quem fôr, Deus ou o que valha, que comanda esse mistério, o fato é que de vez em quando, não sei porque cargas d’água, manda uns sustinhos, uns piripaques por assim dizer. Aí o sujeito passa mal, cai, desmaia, corre até risco de vida, mas não adianta, ele continua a se achar imortal. Deve até pensar : “eu sou mesmo poderoso, nada me derruba! (risos)”. Sempre que penso sobre essas questões, logo, me ocorre a música de Jorge Ben, que diz : ”Se malandro soubesse, como é bom ser honesto, seria honesto por malandragem”. Desde de pequena que escuto : “desculpa de amarelão, é friagem!”. Confesso, que nunca entendi muito bem esse dito popular, mas deve ser isso, coisa de “certos políticos”, deve ser isso!


Foto: Dream of a man - Ruden Fretsbo -Espanha



Quando eu era criança e queria desenhar, me frustei na primeira tentativa, corri para reclamar com minha mãe, sobre a minha incompetência. Ela muito sábia, me disse : “ você tem que tentar várias vezes, e pegar algo como modêlo, insista, você acaba conseguindo”! Agradeço a esse conselho, que serve para tudo na vida. Não, eu não me transformei, numa exímia desenhista, apenas me viro, mas entendi, que com algum esforço, a gente pode sempre melhorar. Hoje, já crescidinha, eu te pergunto minha mãe : será que esse esforço de erros e acertos, servirá também para melhorar o caráter de “certos políticos” brasileiros? Deus permita! Deus permita!




Curta a vida, a vida é curta!
Carpe Diem!!!


Margareth Bravo







Foto :Andre Haut - Barcelona

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Se o mundo votasse para presidente dos EUA‏

A iniciativa dos três jovens da Islândia me impressionou. Ocuparam o tempo de forma construtiva e fizeram o mundo pensar. Matéria do Jornal Diário de Notícias para maior compreensão do evento e o link, caso você queira votar!

http://www.iftheworldcouldvote.com/ ( clique aqui e vote)


O mundo escolhe Obama


HUGO COELHO
http://dn.sapo.pt/2008/09/17/internacional/o_mundo_escolhe_obama.html (leia matéria)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Fim da Polêmica do Centro de Investigação da Fundação Champalimaud em Lisboa

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa sublinhou, este domingo, que a construção do centro de investigação da Fundação Champalimaud na parte ribeirinha de Pedrouços vai ser «altamente benéfica» para a capital, antecipando críticas à obra naquela zona da cidade.

«Antecipo que iremos ser todos muito criticados. Os velhos do Restelo não se vão embora. O que é preciso é continuar a haver a ambição dos Gamas», disse António Costa na cerimónia de arranque das obras do centro, que se situa num lugar simbólico, de onde os portugueses partiram para os Descobrimentos.

O autarca admitiu que, inicialmente, os responsáveis da Câmara se «assustaram» com a ideia de construir um edifício à beira Tejo, que obrigou à suspensão do Plano Director Municipal (PDM).

De acordo com o projecto do centro, metade da área vai ser de espaço livre para os cidadãos, onde vão ser construídos jardins.

O primeiro-ministro, também presente na cerimónia, considerou que o centro vai dar um contributo para «transformar Lisboa e Portugal numa cidade e num país mais cosmopolita e mais abertos às tendências internacionais».

«Ao iniciarmos a construção de um centro de investigação» num aniversário da implementação da República, «estamos a homenagear o ideal da valorização da instrução, como os primeiros republicanos sempre valorizaram», disse José Sócrates.

Com esta obra, a Fundação Champalimaud pretende criar um centro de investigação científica de referência, que garanta as condições ideias para que investigadores e académicos nacionais e estrangeiros desenvolvam projectos com aplicação clínica na área das neurociências e da oncologia.

Na apresentação da obra, o arquitecto Charles Correa sintetizou os seus objectivos: «Queremos envolver a cidade e pôr as pessoas a pensar no que se passou aqui nesta zona, na história portuguesa».

O centro de investigação, que dará emprego a cerca de 700 pessoas, deve estar concluído dentro de dois anos, nas comemorações do centenário da República.

Fonte: http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1022541

Desça mais um pouco e vá até a página oficial, faça uma visita virtual ao centro que promete ser um sucesso!!!


lugar do conhecimento

ciência, tecnologia e muito mais…

Centro de Investigação da Fundação Champalimaud Outubro 6, 2008

Foi ontem lançada a primeira pedra do futuro Centro de Investigação da Fundação Champalimaud. Trata-se de uma unidade de investigação direccionada para a área da oncologia e neurociências em que se pretende que trabalhem os melhores cientistas das áreas referidas a nível mundial. O Centro Champalimaud ficará implantado num terreno de 60.000m2 na zona ribeirinha perto da Torre de Belém.

Página Oficial do Centro de Investigação AQUI

Visita Virtual AQUI

Notícia SIC AQUI

……


Leave a Reply