Esse blog é provisório,como provisória é a vida e tudo que nos cerca. Procuro meu blog, como quem procura a si mesma, e nesse sentido, se achar é se perder e se perder pode ser o princípio de se encontrar.
Conta-me sobre o mundo, mas segura minha mão para que a vertigem não me deixe cair, conta-me sobre o existir, mas me dá um segundo para que eu possa respirar.
Na infância, todos nós passamos algumas vezes por uma experiência indescritível que nos arrebata e toma de assalto todos os nossos sentidos, quando ficamos plenamente expandidos e unificados com o todo. Esse estado de arrebatamento não se anuncia, não é previsível, vou chamá-lo de * Momentum Perfeito – sintonia existêncial - quando se atinge uma espécie de êxtase inexplicável pelo fato de simplesmente estar vivo, um sentimento de integração e unidade ocorre, mas não é possível controlá-lo, tão pouco provocá-lo, e na medida em que se tenta retê-lo, ele escapa, e tão sutis são seus limites, que a tentativa de explicá-lo pode conter o risco de nos lançar no labirinto da de-pressão existencial, quando somos invadidos pelo insondável mistério de existir, é preciso aprender a senti-lo. Ainda hoje o universo é tão grandioso e eu me sinto uma menina pequena engolida pelo mundo e sua metáforas, então eu peço, muita delicadeza e respeito com a sensibilidade das crianças, isso permitirá que no futuro, os arrecifes de memórias, desabrochem sementes guardadas, grávidas de momentuns perfeitos, essa é a sanidade possível que nos compete cuidar e permitir.
Ninguém melhor que o queridíssimo poeta Manoel de Barros, com seu texto Achadouros, para exemplificar o que acabo de descrever, e a foto abaixo além de estar em perfeita sintonia, é uma homenagem a ele, um amante dos pássaros como eu:
"Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade. Mas o que eu queria dizer sobre o nosso quintal é outra coisa. Aquilo que a negra Pombada, remanescente de escravos do Recife, nos contava. Pombada contava aos meninos de Corumbá sobre achadouros. Que eram buracos que os holandeses, na fuga apresada do Brasil, faziam nos seus quintais para esconder suas moedas de ouro, dentro de grandes baús de couro. Os baús ficavam cheios de moedas dentro daqueles buracos. Mas eu estava a pensar em achadouros de infância. Se a gente cavar um buraco ao pé da goiabeira do quintal, lá estará um guri ensaiando subir na goiabeira. Se a gente cavar um buraco ao pé do galinheiro, lá estará um guri tentando agarrar no rabo de uma lagartixa. Sou hoje um caçador de achadouros de infância. Vou meio dementado e enxada à costas a cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos. Hoje encontrei um baú cheio de punhetas."
Por uma dessas felizes coincidências que não se explica, quando estava para publicar esse post, recebi o livro Educação Infantil no Tempo Presente do escritor Marcos Meira, para se ter uma noção de como o livro me impactou, basta dizer que passei a madrugada acordada me deleitando e me surpreendendo com o vigor e poder curativo de suas idéias, veja o trecho abaixo:
"... ainda encontramos pessoas que imaginam que educar é preencher a criança com aquilo que ela não sabe, ignorando o que ela nos revela a cada dia que passa. Uma criança, por exemplo, acorda suavemente e procura tirar proveito de cada momento. Não quer perder os detalhes da vida. E é nessa ludicidade de sentir o pulsar alegre do coração - nessa capacidade de brincar com o tempo - que devemos nos mirar para apreender o grande mistério da vida."
Quando adolescente deitada na minha cama, sentindo a batida forte do mundo, com uma necessidade de ancorar em algo que fizesse sentido, escrevi na parede os nomes de Leila Diniz e Caetano Veloso. Escrevi bem pequeno, porque era mais para gravar no meu disco rígido como num rito, a memória de que sempre existem pessoas que ousam caminhar na transversal do mundo, os desequilibristas, os anarquistas “graças a Deus”, jamais poderia esquecê-los! Eles se tornaram meus amigos, pessoas que eu podia concordar ou discordar, mas sempre admirar.
Leila Diniz foi um cometa incandescente, que com sua vida breve marcou toda uma geração e rompeu alegremente barreiras como consta em biografia de Joaquim Ferreira dos Santos.
Quando um amigo me falou a respeito do blog Obra em Progresso do Caetano Veloso, fiquei feliz por ter uma forma de declarar meu amor e respeito por essa pessoa que tanto impactou meu olhar para o mundo. Então eu disse:
Quero agradecer a viagem histórica de nossa época pelo viés Caetano.
Como livre pensador e espécie de tradutor das profundas ânsias coletivas Caetano vem sendo ao longo dos anos um condutor de alquimias em nosso “DNA” de certa forma o absorvemos quer queiram ou não, em nossa corrente sanguíneo-subjetiva. Em Outras Palavras, Cores e Nomes, enquanto Uns ladram, nós não temos nenhuma Queixa, Caetano é um Raio de Luz do Sol a iluminar entendimentos e contradições, fala em uma Língua universal, provocando O Quereres que a todos mergulha vez por outra Numa Noite de Hotel , em Noites do Norte sem norte, nessa Terra, onde não podemos fugir da “dor-homem” , mas apesar e até por causa dos Podres Poderes, podemos perceber Qualquer Coisa, Fora da Ordem e é aí que faço uma Oração ao Tempo pedindo vida longa a Caetano. Penso que o verdadeiro intelectual, é aquele que se revela pragmático, como Darcy, Deleuze, DaMatta, Caetano, apenas para citar alguns. E ao final Caetano e sua expressão no mundo, contudo, é apenas “Humano, demasiado Humano”. E eu sigo observando, com minha Alegria, Alegria e com nada nos bolsos ou nas mãos, mas o que importa mesmo, é que eu nasci para ser Superbacana!!!
Voltei ao meu blog, e confesso que levei um susto, eu acabava de ser visitada por alguém de Teerã, não havia como não associar o fato a música Qualquer Coisa, e naturalmente a Caetano, ainda espantada fiquei pensando... Será que eu estou prá lá de Teerã, será que Caetano está prá lá de Teerã, ou você, ou todo mundo? Acho que é isso, está todo mundo prá lá de Teerã, e nosso papo já está qualquer coisa. Mas, como e por que alguém do Irã acessaria meu blog?
Na seqüência recebi um email informativo da Hora do Planeta.
O mundo agora nos permite perceber que coabitamos uma grande casa, estamos mais do que nunca entrelaçados, interligados e isso permite ações maravilhosas e comoventes como as do movimento - Hora do Planeta - da WWF, isso nos coloca a todos, prá la de Marrakech.
O Rio de Janeiro, foi a primeira cidade a aderir ao movimento, mas isso não importa, o que importa, é que um mundo inteiro se abriu e se uniu nessa brilhante idéia!
E a sincroni- cidade? Bem, acredito que seja essa possibilidade, de simultaneamente, todas as cidades do mundo se unirem em pensamento e ação por um mundo melhor.
Salvemos o planeta em risco, salvemos a Terra!
Com extasiante alegria pela Hora do Planeta, Margareth
Mattloyd
Terra ( Caetano Veloso)
Quando eu me encontrava preso
Nas celas de uma cadeia
Foi que eu vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens
Terra, terra
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria Ninguém supõe a morena Dentro da estrela azulada Na vertigem do cinema Manda um abraço pra ti, pequenina Como se eu fosse o saudoso poeta E fosses a Paraíba Terra, terra Por mais distante O errante navegante Quem jamais te esqueceria
Eu estou apaixonado por uma menina Terra, signo de elemento Terra, do mar se diz Terra à vista Terra, para o pé firmeza Terra, para a mão carícia Outros astros lhe são guia Terra, terra Por mais distante O errante navegante Quem jamais te esqueceria Eu sou um leão de fogo Sem ti me consumiria A mim mesmo eternamente E de nada valeria Acontecer de eu ser gente E gente é outra alegria Diferente das estrelas Terra, terra Por mais distante O errante navegante Quem jamais te esqueceria De onde nem tempo nem espaço Pra gente te dar carinho Que a força mande coragem Durante toda a viagem Que realizas no nada Através do qual carregas O nome da tua carne Terra, terra Por mais distante O errante navegante Quem jamais te esqueceria Nas sacadas dos sobrados Da velha São Salvador Há lembranças de donzelas Do tempo do Imperador Tudo, tudo na Bahia Faz a gente querer bem A Bahia tem um jeito Terra, terra Por mais distante O errante navegante Quem jamais te esqueceria Foto:FX - França- escultura
Quando menina, por tradição familiar freqüentava as missas da Igreja Católica, havia uma máxima que me causava imenso desconforto e ficava ecoando em minha mente gerando um efeito de punição terrificante, e os fiéis repetiam: “por minha culpa, minha máxima culpa”. Hoje percebo o significado para essa questão por outro ângulo , não sei se era o que a orientação cristã pretendia ensinar, mas o fato é que desperdiçamos tempo e energia ao culpar o outro que faz órbita em nossa intimidade, por seja lá o que for que nos sucede. Retiramos nossos olhos de onde deveriam pousar, quando nos desculpamos por nossos adiamentos, por nossas apatias, pelo nosso desistir de buscar o que queremos responsabilizando o outro e espelhando nele nossos fantasmas. Essa transferência de culpa ou responsabilidade, apenas se transforma numa habilidade inútil de fugirmos de nós mesmos, nosso foco então, deixa de ser nossa meta, nosso real desejo para ser um desvio numa espécie de fardo por nós autorizado. Nesse sentido, tudo quanto nos acontece, é nossa permissão. Se existe espaço para responsabilizarmos alguém, por nossas perdas, desistências, frustrações e outras tantas pendências, no mínimo somos co-responsáveis por esse fardo – a culpa projetada no outro, é nada mais, nada menos que um disfarce do medo de crescer. Por isso, eu atualizo a sentença “minha culpa, minha máxima culpa” para – minha responsabilidade, minha máxima responsabilidade sou eu, sou eu, sou eu, simplesmente eu, porque permito seja lá o que for. Assim, libero o outro, e me ponho a olhar para aquilo que me causa medo e no que deve estar minha responsabilidade, investimento e zelo.
Margareth Bravo
Foto: Fju- Rússia
Auto-encontro
Se eu encontrasse comigo, eu teria medo de mim
Dos meus olhos, as minhas palavras
Da minha maneira de falar coisas profundamente tristes e ao mesmo tempo rir
A minha mão na cintura, da minha mão apoiando minha cabeça
Eu teria medo do meu olhar
E novamente do meu olhar, da firmeza dele, do desafio.
De tudo que ele consegue dizer quando estou muda
Do seu negrume transparente, da sua insistência
Do meu olhar... eu teria muito medo de mim Foto: Klaas - Amsterdam
Dele quando faminto, quando sedento
Quando penetrante na sua magia se exaltasse
Eu teria muito medo de ver o que ele faz por mim
E de quando ele não esconde nada
Medo eu teria quando estivesse fugindo, quando brincando de olhar
Mas, muito, muito medo eu teria, quando com medo de olhar...
Ao final de mais um ano por muito que não se queira, sempre acontece de nossos pensamentos e sentimentos nos levarem a reflexão sobre nossas vidas, sobre o que temos feito dela. E observo que o nosso único e incontestável poder está em nosso coração, e assim quando nos deixamos conduzir por ele, a energia do amor nos invade e tudo ganha força e relevo, porque do amor nasce a imprescindível liberdade, porque ele nutre, contagia, cura, porque qualquer coisa sem o amor, se perde... Quando olhamos para trás, percebemos que tudo passa; maus momentos, bons momentos; a própria vida passa e tão veloz e vertiginosa! Quantos anos se passaram num segundo??? Num segundo que sequer percebemos! E o que fica realmente, são as coisas mais simples, pequeninas e singelas lembranças no inventário de nossas vidas: um abraço confortante quando sentimos dor, saudades; um sorriso cúmplice, um olhar amoroso, uma árvore, um animal, uma poesia, um cheiro de café e pão quentinho numa tarde inesquecível de nossa juventude, um dia deitado na grama olhando o céu estrelado, palavras de apoio quando nos sentimos desestimulados, uma crise de risos em família, admirar os seres amados dormindo, fotografias que máquina nenhuma pode registrar olhares, olhares, olhares... gestos... aquele dia que a chuva nos pegou de surpresa e de repente foi um grande prazer se sentir vivo, aquela tarde vendo um belíssimo pôr de sol abraçado a um amigo e tantas, tantas singelas lembranças!
Foto: México - Rosein Midair
E a vida está passando aqui e agora, indiferente frente a nossa indiferença ao fato que não podemos adiar entendimentos nem o desfrutar a própria existência em sua inapreensível grandeza e mistério - nosso destino comum. É preciso caminhar confiante, rumo ao auto-encontro com a perseverança de quem sabe que tudo é aprendizado, e então, como crianças inocentes, nós abrimos o coração para aquilo que não podemos compreender; o imponderável dessa misteriosa e admirável existência!!!Assim pasmos de tudo e perplexos, sigamos, cantando, rindo, amando, celebrando e lançando sementes para que a Grande Família Humana possa alcançar a paz!E o rio da vida continua majestoso, fluindo rumo ao Grande Oceano!!!“Paz na Terra, aos homens de boa vontade!” Obrigada Ano Velho, bem vindo Ano Novo!
Com amor, Margareth
Foto: Austrália - Drora
Cântico VI
Tu tens um medo Acabar. Não Vês que acaba todo dia. Que morres no amor. Na tristeza. Na dúvida. No desejo. Que te renovas todo dia. No amor. Na tristeza. Na dúvida. No desejo. Que és sempre outro. Que és sempre o mesmo. Que morrerás por idades imensas. Até não teres medo de morrer. E então serás eterno. Cecília Meireles
. Fico muitas vezes, horas refletindo sobre essas nomenclaturas, eu penso que a humanidade nem sequer amadureceu a denominação de Modernidade, quando a civilização deu por si, e passou a pensar o ser e suas implicações de estar no mundo, seus códigos, seu existir. Creio que a humanidade esqueceu de si mesma, num mundo cada vez mais artificial em formas, conceitos, comportamentos, tudo se transforma rapidamente em produto, gerando artificialidade por todo canto. Caminhamos atônitos, apressados, sem tempo de sentir, sem tempo de pensar o ser, o existir; teorizando, relativizando, sem perceber a efemeridade da vida, sem nos dar conta que somos uma grande família (humana) que habitamos a mesma casa (Terra) que partiremos breve e que nosso egoísmo é muito velho, não, nós ainda não somos modernos. Seria então a Modernidade tão precocemente descartada para assumir uma espécie de falência da obra em curso, sepultando as chances da humanidade ser de fato moderna? Como então, pode ser pós-moderna se nem ao menos alcançou o que é modernidade, se não cumpriu esse papel?Teria a pós-modernidade o papel de subsumir a modernidade?A modernidade implodiu? Mal o homem se deu conta do pensar e de suas racionalizações; teriam elas o impulso de atirá-lo no abismo da pós-modernidade?
Foto :Kheit Pelczarski - Estados Unidos
Para mim depois de Modernidade o natural seria supermodernidade! Mas vejamos, nunca fomos completamente modernos, fazemos guerras inúteis e cruéis, ingressamos numa era de representações humanas, onde mesmo a bondade se transformou em produto, empresas se engajam na responsabilidade social ou ecológica, apenas porque lhe rende marketing, claro que não posso radicalizar creio na boa fé de muitos, mas caímos no reino dos interesses acima de qualquer coisa. Basta ver no Brasil, por exemplo, a população que cresce nas favelas e beira de estradas num nível de miséria vergonhoso, em sua maioria negra. Enquanto isso, a hipocrisia viceja criando cotas para negros nas universidades, quando a medida a ser tomada deveria ser a inclusão da história real dos negros e índios no currículo escolar desde o primário, outorgando-lhes a dignidade a que têm direito, além disso, criar oportunidade de base escolar e inclusão social, ou seja, começar pelo começo. O racismo é outra prova de que não atingimos a Modernidade, e o embraquecimento social, continua sendo a medida e o passe para que os negros sejam assimilados, seja pela riqueza ou pela fama, e os índios, esses, meu Deus, foram de tal forma triturados pelo sistema, que além de dizimados, estão como algo amorfo no imaginário coletivo, algo talvez como uma lenda.
Não, a evolução da humanidade não atingiu a Modernidade, a despeito de pensadores excepcionais, de teorias espetaculares, de avanços tecnológicos, continuamos engatinhando, enquanto houver destruição e abandono do homem pelo homem, com a omissão institucionalizada, enquanto fingirmos que está tudo bem, se nesse exato momento milhares de seres morrem de fome, crianças sofrem todo tipo de violência, o planeta é arruinado sistematicamente; tempos mórbidos de barbárie e alheamento. Com o filósofo René Descartes, a civilização descobriu que pensa e logo existe, aprendemos a racionalizar, e tanto e por tantos métodos, como se milhares e milhares de auto-estradas se entrecruzassem, e onde, onde se perdeu o homem? A humanidade se encontra ainda em seu ensaio de vôo. Antes de aceitar a denominação de pós-modernidade, a humanidade precisa pensar a si mesma como uma possibilidade de vôos mais altos, de um pensar que permite também sentir, permite enlouquecer no melhor dos sentidos da palavra, sair da fôrma pronta em que nos metem desde cedo. Sim, penso logo enlouqueço, assim escapo um pouco do senso comum, e encontro transversais que permitam ao menos sonhar com novos vôos da humanidade.
No dia protocolado e dedicado a Consciência Negra, penso no dia da Consciência Humana que inclui a todos no pensar a raça humana igual, sem separar por partes, etnias, ideologias. Lembrando como pensou o filósofo Heidegger que “o homem é um poema inacabado” sempre podemos introduzir nesse poema o belo, ainda que o grotesco insista em nos rodear!
Foto: Laura Lizancos - Espanha
Paciência (Lenine - Dudu Falcão)
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...
Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...
Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...
Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...
Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...
A vida não pára!...
A vida é tão rara!...
Foto: Hazel - Dublin
Na Eco-92 , Severn Suzuki comoveu a todos com seu discurso, até hoje quando assisto, não consigo conter minhas lágrimas, principalmente, porque assustadoramente, tudo que ela denunciou, está cada vez mais grave e seu alerta, tão contundente, tão sofrido e corajoso permanece sem resposta.
Precisamos urgente encontrar essa menina e seu grupo, não há mais tempo para tornar a infância dela e de sua geração mais tranqüila, pois hoje, passados 16 anos Severn Suzuki e seus amigos, têm em torno de 28 anos, e possivelmente, já tenham filhos.
Faz muito tempo que a procuro na internet sem sucesso, gostaria de pedir aos amigos que me ajudassem a encontrá-la, para dizer a ela que conta comigo e com toda certeza com todos vocês, para juntos construirmos soluções. O planeta precisa de muitas Severns Suzukis, para conter a avassaladora e absurda destruição e abandono do homem pelo homem. Quando se destrói a própria morada, que mais esperar da humanidade? Quando os dirigentes máximos dos países representados na Eco-92 não tiveram a sensibilidade de criar uma Lei Severn Suzuki de Consciência Planetária, para implementar ações por ela apontadas como emergenciais, o que mais esperar dos organismos oficiais?
Cabe a cada um de nós, colocarmos todo nosso coração e empenho em nos unir a ela e a todos que acreditam num mundo melhor, e ir fazendo o trabalho de formiga onde quer que estejamos da melhor forma que pudermos. Basta sermos capazes de conceber que é possível!!!
Do irreal resulta a impotência; o que não somos capazes de conceber não podemos dominar.
Wilhem Reich
Foto: Eslwinshot - Filipinas
Aos nossos filhos
Composição: Ivan Lins/Vitor Martins
Perdoem a cara amarrada Perdoem a falta de abraço Perdoem a falta de espaço
Os dia eram assim
Perdoem por tantos perigos Perdoem a falta de abrigo
Perdoem a falta de amigo
Os dias eram assim
Perdoem a falta de folhas
Perdoem a falta de ar Perdoem a falta de escolha Os dias eram assim E quando passarem a limpo E quando cortarem os laços E quando soltarem os cintos
Façam a festa por mim E quando lavarem a mágoa E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água Lavem os olhos por mim
E quando brotarem as flores
E quando crescerem as matas E quando colherem os frutos
Digam o gosto pra mim!
Foto: Lisa Solonynko Suspeite da quietude e mansidão Suspeite na calada da noite Se puder ouvir com calma o coração Não acredite muito Se no meio das sombras Não houver olhos a te espionar Suspeite do silêncioDa calmaria Você pode estar sendo vítima de uma trama Que te quer calmo e covarde Não fique parado muito tempo Que apodrece e cria raízes que aprisionam Não seja tão acelerado para não se diluir Ah! Os pombos proliferam nas cidades E as pessoas lhes dão o que comer Se chove, correm para os parapeitos Se o tempo é bom, é indiferente Se reúnem, e ouve-se seus ruídos uniformes Que se repetem, se repetem, se repetem... E os abutres? Os abutres, sobrevoam ávidos! Sim! Há outros pássaros! Margareth Bravo