
Quando o mundo atual, nos oferece tantas nulidades, assistir ao espetáculo – Mistério Bufo – é como sentir uma rajada de vento puro no espírito. Não vou descrever a montagem originalíssima, mas falar do clarão que se abre através proposta lúcida e urgente em tempos tão obscuros em que navegamos entorpecidos para o futuro, numa embarcação completamente avariada, sem notarmos a emergência da restauração, ou sem sequer percebê-la. Então, quando vejo o esforço e a dedicação de todos os envolvidos na realização da peça Mistério Bufo, sinto uma imensa gratidão. Sim! Eles conseguem fazer renascer Maiakóvski (1893-1930) – e mais que isso, junto com Maiakóvski ressuscitam todos os poetas e todos aqueles que sonharam e se arriscaram por um mundo melhor. A ressurreição do poeta, é também, a simbólica ressurrreição do ser humano, mas, por uma via extraordinária, o nosso mover o mundo, no lugar de ser movido por ele. Na leitura atualizada dos dramaturgos Rosyane Trotta, Fabio Ferreira e Cláudio Baltar, fica ressaltado de forma contundente, o risco a que está sujeito o planeta Terra, tanto do ponto de vista da sobrevivência do planeta, quanto aos valores que nos norteiam. Durante o processo itinerante do espetáculo, somos lançados num universo intemporal, como representantes do humano desde que o mundo é mundo. Somos a família humana! E quando chegamos ao futuro apontado pelo realizadores, somos confrontados com o compromisso da ressurreição humana, no sentido de olhar de frente para quem somos e o que queremos. É um choque de realidade! Mas, há nele um frescor, um sopro de esperança!
Não conheço de perto o histórico da concepção e montagem, mas posso imaginar o desafio. Um projeto audacioso, corajoso como esse, requer persistência e um desejo ardente de prosseguir! Isso, é mover o mundo! Eu me inclino em reverência a essa bela chama, onde quer que eu a perceba! Tudo nessa peça, é impecável – cenografia, figurinos, iluminação, trilha, acrobacia, preparação corporal, produção da Galharufa Produções Culturais, e tudo mais! Mas sugiro que assistam a peça , não porque é um sucesso, mas sim, por ser absolutamente necessária.
Margareth Bravo
Não conheço de perto o histórico da concepção e montagem, mas posso imaginar o desafio. Um projeto audacioso, corajoso como esse, requer persistência e um desejo ardente de prosseguir! Isso, é mover o mundo! Eu me inclino em reverência a essa bela chama, onde quer que eu a perceba! Tudo nessa peça, é impecável – cenografia, figurinos, iluminação, trilha, acrobacia, preparação corporal, produção da Galharufa Produções Culturais, e tudo mais! Mas sugiro que assistam a peça , não porque é um sucesso, mas sim, por ser absolutamente necessária.
Margareth Bravo
Leiam o artigo de Marcos Francisco Ferreira sobre o processo de criação do espetáculo, na revista eletrônica Questão de Crítica que contém também um vídeo com trecho da peça.
Vejam a resenha da Revista Bula sobre o livro: “Maiakóvski — O Poeta da Revolucão” Editora Record (559 páginas), do russo Aleksandr Mikhailov, com prefácio de Alexei Bueno e tradução de Zoia Prestes.
Vejam a resenha da Revista Bula sobre o livro: “Maiakóvski — O Poeta da Revolucão” Editora Record (559 páginas), do russo Aleksandr Mikhailov, com prefácio de Alexei Bueno e tradução de Zoia Prestes.

Maiakóvski
Fiz ranger as folhas de jornal abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo de cada fronteira distante subiu um cheiro de pólvora perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos nada de novo há no rugir das tempestades.
Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado.
As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas.
(1927) Tradução: E. Carrera Guerra In Maiakóvski –
Antologia Poética Editora Max Limonad, 1987
O Amor
Maiakóvski
Um dia, quem sabe, ela, que também gostava de bichos,
apareça numa alameda do zoo,
sorridente, tal como agora está no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela, que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século ultrapassará o exame de mil nadas, que dilaceravam o coração.
Então, de todo amor não terminado seremos pagos em enumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me, nem que seja só porque te esperava como um poeta, repelindo o absurdo quotidiano! Ressuscita-me, nem que seja só por isso! Ressuscita-me! Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo de casamentos, concupiscência, salários. Para que, maldizendo os leitos, saltando dos coxins, o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia, que o sofrimento degrada, não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo: - Camaradas! Atenta se volte a terra inteira. Para viver livre dos nichos das casa. Para que doravante a família seja o pai, pelo menos o Universo; a mãe, pelo menos a Terra.
(1923) Tradução Haroldo de Campos
Fiz ranger as folhas de jornal abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo de cada fronteira distante subiu um cheiro de pólvora perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos nada de novo há no rugir das tempestades.
Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado.
As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas.
(1927) Tradução: E. Carrera Guerra In Maiakóvski –
Antologia Poética Editora Max Limonad, 1987
O Amor
Maiakóvski
Um dia, quem sabe, ela, que também gostava de bichos,
apareça numa alameda do zoo,
sorridente, tal como agora está no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela, que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século ultrapassará o exame de mil nadas, que dilaceravam o coração.
Então, de todo amor não terminado seremos pagos em enumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me, nem que seja só porque te esperava como um poeta, repelindo o absurdo quotidiano! Ressuscita-me, nem que seja só por isso! Ressuscita-me! Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo de casamentos, concupiscência, salários. Para que, maldizendo os leitos, saltando dos coxins, o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia, que o sofrimento degrada, não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo: - Camaradas! Atenta se volte a terra inteira. Para viver livre dos nichos das casa. Para que doravante a família seja o pai, pelo menos o Universo; a mãe, pelo menos a Terra.
(1923) Tradução Haroldo de Campos
Meg
ResponderExcluirEste espetáculooriginalíssimo foi uma das agradáveis surpresas de 2010. é bom ver o teatro cumprir essa função de mexer com o pensamento, de provocar as pessoas, enfim, dar um movimento na nossa rotina enfadonha.
Beijos
Inveja-me! Aqui em Bauru o teatro é bem carente! E de passagem: que bela imagem essa do post. Saudações ;)
ResponderExcluirOi!
ResponderExcluirRecebi seu texto por email da minha amiga Carolina, e me estimulou a assistir o espetáculo, te agradeço foi realmente uma experiência inesquecível como você falou. um abraço
Oi Meg!!!
ResponderExcluirEu também fui e amei! Avisei para todo mundo, mas acho que agora vai ser difícil encontrar ingresso.
Precisamos saber para onde vai o espetáculo, após a temporada na Oi Futuro. Um beijo
Oi, Querida! Foi um espetáculo original, interessante, lúdico, poético, surpreendente. Fiquei encantada! Obrigada pela indicação. Amei! Beijos, Dri
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